O CCA é a Solução Segura e Ambientalmente Correta no Mercado de Postes

O CCA é a Solução Segura e Ambientalmente Correta para o Suprimento do Mercado de Postes

Informativo Técnico – Divisão Preservação de Madeiras – Montana Química S.A

O arseniato de cobre cromatado (CCA) completa oito décadas de aplicação em todo o mundo e ainda continua sendo um preservativo muito eficaz na conservação de nossos recursos florestais. É oportuno se fazer uma resenha do uso e da regulamentação desse produto nos Estados Unidos, onde os dados estatísticos disponíveis são confiáveis:

1933: o CCA foi inventado e patenteado na Índia pelo prof. Santi Kamesan;
1938: a Bell Telehone comprou a patente e começou o tratamento de postes, destinados à eletrificação, em escala industrial;
1940: o CCA foi registrado pela USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos;
1940-1942: 20.000 postes foram tratados com CCA e instalados no sul da costa leste, para acompanhamento;
1969: foi desativado o monitoramento, com a seguinte conclusão: não houve a ocorrência de nenhuma
retirada de postes devido à incidência de apodrecimento ou de insetos;
1970: após estudos de fixação e de lixiviação realizados por Fahstrom, G. e outros, o CCA foi
regulamentado pela EPA (Environmental Protection Agency) americana sob a lei Federal que estabelece
parâmetros para Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas (FIFRA);
2002-2003: fabricantes americanos, de forma voluntária retiraram o CCA para grande parte das aplicações
residenciais;
2008: houve uma decisão favorável de EPA para re-registro do CCA, com algumas exigências para a
rotulagem do produto e a adoção de algumas normas de segurança, a serem seguidas pelas usinas
produtoras.
Na pág. 37 do Documento EPA 739-R-08-006 pode ser encontrado (tradução literal): “Por isso, após uma completa avaliação de riscos e benefícios, a EPA determinou que os preservativos de madeira, à base de cromados arseniacais, não oferecem riscos, que não sejam razoáveis, a seres humanos ou ao meio ambiente, desde que: 1) sejam tomadas as devidas medidas de proteção; 2) as recomendações de rótulo sejam elaboradas conforme a descrição da seção V e 3) todos os dados atuais em falta e os dados comprovatórios sejam indicados”.
Com relação ao desempenho, dados norte-americanos de desempenho apontam que:

  • O histórico de desempenho até agora abrange um lapso de tempo de até 61 anos e todos eles oriundos de zonas de severa deterioração (zona 5);
  • Os dados de campo sugerem uma expectativa de vida em serviço de 60 anos.

Já no que tange aos aspectos atuais da regulamentação existente podem ser feitas as seguintes
observações:

  • O “Sistema de Informação de Risco” (IRIS) superestimou os riscos apresentados por produtos inorgânicos de arsênio. O coeficiente angular usado para estimar o risco de desenvolvimento de câncer, associado a compostos de arsênio, tem variado ao longo do tempo;
  • Esse fator variou de 1 a 4 (mg/kg-d)-1 até 2003, anos de maior restrição ao uso do CCA e que redundou na sua retirada voluntária para as classes de uso 1, 2 e 3 até a realização de novos estudos sobre o tema. Procedidas tais pesquisas houve uma alteração para mais de 25 (mg/kg-d)- 1 , ou seja quase 20 vezes acima do que o valor adotado em meados dos anos 90. Foi um posicionamento de honestidade científica, ao ficar demonstrada a inconsistência das premissas adotadas e, por coerência, com o teor de arsênio observado na água potável consumida em muitos estados americanos;
  • A exposição ao arsênio procedente de madeira tratada com CCA é considerada insignificante em comparação àquela resultante da alimentação e do consumo de água potável;

Cabe ressaltar que os requisitos de rotulagem, modificações de usina e de procedimentos operacionais, ora exigidos pela EPA em seu memorial descritivo de re-registro (set. 2008) estão todos contemplados pela Montana Química S.A. seja nas suas embalagens, ou nos seus projetos de usina (Engenharia) ou ainda no seu Manual Osmose de Operação de Usinas.

  • O departamento de resíduos sólidos da EPA, e a indústria americana que patrocinaram um estudo
    a respeito do descarte de madeira tratada com CCA, demonstrando que a concentração de
    arsênio à jusante de aterros sanitários da Flórida era menor do que a observada à montante, em
    coletas efetuadas num intervalo de 12 anos (1992-2004).

Agora, o mais surpreendente e extraordinário é que no trabalho apresentado na Southern Utility Poles Conference, realizada em 2010 e intitulado “Treated Utility Poles – a short look back, a good luck ahead”, seu autor Chuck Shaw tenha dedicado boa parte para enfatizar o futuro dos postes tratados com um produto com quase oitenta anos de existência. É uma prova eloquente da eficiência do CCA e do reconhecimento dos equívocos cometidos na avaliação da toxicidade de um produto, que a própria EPA americana veio a reconhecer ao chancelar seu re-registro.

Como perspectivas para o futuro de postes tratados com CCA, Shaw, C. destacou os seguintes pontos:

  • Com base numa vida média documentada de 60 anos, pode se estimar um horizonte de 100 anos a ser alcançado com a adoção de inspeções rotineiras e de programas de manutenção adequados;
  • Esse possível aumento de vida útil é um importante fator a ser levado em consideração pelas empresas concessionárias de energia elétrica nos planejamentos plurianuais;
  • Espera-se que surtam efeito as modificações sugeridas para EPA (segurança, projeto de usina, rotulagem);
  • Estima-se que a próxima revisão de registro só tenha início daqui uns quatro anos;
  • A regulamentação para descarte de madeira tratada com CCA deve manter o status-quo, em curto prazo;
  • Reavaliação do Sistema IRIS para compostos inorgânicos de arsênio;
  • Mudanças climáticas representam uma oportunidade de crédito de carbono para as empresas concessionárias;
  • Recuperação de energia poderá ser uma opção potencial para a disposição do poste ao término de sua vida útil.

 

É muito importante a divulgação dessas informações para os responsáveis pela regulamentação da preservação de madeiras no Brasil para que tirem proveito dos erros e acertos cometidos no exterior.  Também as empresas concessionárias de energia elétrica deveriam estar atentas no que diz respeito aos benefícios ecológicos decorrentes do uso de postes de madeira preservada e que se somam a outros já conhecidos como: facilidade de transporte, desempenho elétrico, nível de isolamento, regulação de preços etc.
Para finalizar e demonstrar essas vantagens ecológicas, é interessante a reprodução dos dados comparativos entre postes de madeira, de concreto, de aço e de compósitos com reforço de fibras que foram obtidos pela empresa AquaETer (Colorado-USA), após um estudo completo sobre a Análise do Ciclo de Vida desses materiais e que foi publicado em abril de 2011 (Clique para visualizar a Figura 1).

NOTA: smog – (smoke=fumaça + fog=nevoeiro). Uso dos fatores de impacto (TRACE-2002) para calcular a formação potencial de smog a partir de descargas e expresso em g de NOx /m. eutroficação – (excesso de nutrientes em corpos d’água). Uso dos fatores de impacto (TRACE-2002) para calcular o potencial de eutroficação expresso em lb de nitrogênio.

TRACE (EPA) – ferramenta usada pela EPA para a redução e determinação do impacto causado por
produtos químicos e outros no meio ambiente.

Como pode ser visto nessa Figura, postes de madeira tratada, têm impacto ambiental expressivamente menor do que os de concreto, aço e de compósitos reforçados como atestam quase todos os quesitos.
Com relação à madeira, esses parâmetros podem ser reduzidos ainda mais se a disposição dos postes, ao fim da vida em serviço, forem direcionadas para a produção de energia, ao invés de ir para um aterro.
Espera-se ter ficado claro que a madeira apresenta inúmeras vantagens que justificam um significativo aumento na sua atual participação no fornecimento de postes preservados para as empresas de eletrificação.
*Artigo do consultor técnico da Montana Química, Dr. Ennio Lepage.